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Bem provável que nas capitais a sensação seja diferente. Mas, algumas pessoas do interior, principalmente as bem mais velhas, sempre repetem a seguinte asneira: que na época do Governo Militar, as coisas eram melhores.
Não tenho nenhum pudor em dizer que isso é uma asneira e das grandes. Quem ficou alheio a todas as atrocidades cometidas pelo governo militar no Brasil, tem a sensação mesmo que naquela era melhor. Sem falar na nostalgia e no fato da pessoas estar no melhor momento da sua vida: a juventude, por isso era melhor que hoje, era mais tranquilo e a vida mais leve.
Só não pensa assim quem teve um filho torturado e, ainda está desaparecido. Ou, foi vítima da sua coragem em falar e defender o que pensa, indo parar numa delegacia, torturado, humilhado e muitos exilados.

O filme O ano em que meus pais sairam de Férias trata um pouco dessa alienação. Mas, uma alienação quase que necessária: nas crianças. Conta a história de um moleque que é deixado na casa do avó, pois seus pais saem de férias (tentam fugir da perseguição feita pela polícia).
A perseguição militar, no entanto, não está no primeiro plano da narrativa, mas está sempre presente: nas atitudes e nas conversar em tom baixo, uma vez que é uma criança que está nos contando como ela ficou esperando os pais e por política ser assunto de gente adulta!
Além disso, tem aquela velha fórmula da amizade conquistada no convívio entre um senhor judeu, acostumado a ser sozinho, e uma criança mimada que só pensa em jogar futebol de botão e espiar as moças de lingerie.
Tags: Cinema Nacional, Ditadura, Filme Nacional, História do Brasil, Regime Militar -

Depois de uma meia dúzia de filmes do Bergman, acabei assistindo ao filme brasileiro Nome Próprio só para relaxar. Quem assistiu ao Sétimo Selo, pelo menos, sabe do que eu estou falando. Mas, ainda não falarei dos preciosos filmes suecos que teimam em explodir minha cabeça de japonesa cutie-cutie!

Camila: blogueira/escritora com paixão
Nome Próprio não é o blog do Ivan (que está de layout novo), como o Hamilton teima em me dizer. É um filme brasileiro dirigido pelo Murilo Salles, cujo roteiro é inspirado nos textos e nos livros de Clarah Averbuck. Quem é Clarah Averbuck? Não conheces? Nem eu conhecia.
Segundo minha pesquisa feita no Google, a Clarah Averbuck nasceu em Porto Alegre, mas se tivesse nascido no bairro Feitoria, de São Leopoldo , faria mais sentido. Continuando… nasceu em PoA, mas logo se mudou para São Paulo para dar continuidade na sua carreira de escritora.
Antes disso, tentou fazer Letras e Jornalismo, na PUC-RS, sem muito saco para continuar qualquer um dos cursos. Enfim, pubicou alguns textos em blogs por aí, criou outros blogs, até que conseguiu escrever sua primeira novela: Máquina de Pinball (2002).

#Comofas?
Demorou, demorou, mas depois de Máquina de Pinball, a gaúcha escreveu Das coisas esquecidas atrás da estante, em 2003, Vida de gato, em 2004, e Nossa Senhora da Pequena Morte, de 2008. O livro Máquina de Pinball já virou peça de teatro e também serviu de inspiração para o filme Nome Próprio.
Nunca li os livros da Clarah, só assisti ao filme que conta a história de Camila Lopes, “uma jovem mulher que dedica a vida à sua paixão, escrever. Camila é intensa, complexa e corajosa. Para ela, o que interessa é construir uma trajetória como ato de afirmação. Sua vida é sua narrativa. Construir uma existência complexa o suficiente para se escrever sobre ela”.
O que me levou a fazer a seguinte pergunta: porque todo artista fica nessa de sofrer, sentir, apaixonar-se para poder escrever? Sim, sou bem mais técnica quanto a isso. Escrever uma dissertação de mestrado não é a mesma coisa que escrever um livro como a Máquina de Pinball, por exemplo. Dissertações de Mestrado, Teses de Doutorados, whatever, são trabalhos técnicos.

Ainda tenho que me acostumar e tentar entender a alma dos artistas, seres complexos, extremamente sensíveis e auto-destruidores. Se bem que tem muito blogueiro por aí que tem na alma o “ser hype, chique e gauche”. Um quê de glamour e necessidade de atenção ou fonte de inspiração? O poeta ainda é um sofredor? Sofre que é dor, a dor que deveras sente? A dor é real ou um subterfúgio?
Fico por aqui e não prometo parar de tomar xarope!
Mais sobre o Filme e os roteiros:
http://nomepropriofilme.blogspot.com
Trailer:
Tags: Blog, Blogueiro, Cinema Nacional, Clarah Averbuck, Filme Nacional, Leandra Leal, Nome Próprio -

“É, mas você não come merda só porque a comida vai virá merda no bucho, né Lino? Minha gente, alguém come merda aqui, não né?” (Fala do filme Estômago)
“Mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte – e eles sabem, mais do que ninguém, qual é a parte melhor”
Mais um filme sobre migrantes nordestinos que chegam a São Paulo e comem o pão que o Diabo amassou, certo? Errado! O filme é sobre um nordestino que vem para a capital paulista tentar a sorte sim, mas o enfoque é outro. O filme Estômago gira em torno da relação comida e poder, ou melhor, conta a trajetória de um tal Raimundo Nonato, mais um Raimundo Nonato como ele mesmo diz no início do filme, que ao chegar numa cidade estranha se vê diante de uma espécie de “dom”na cozinha.
Forçado a trabalhar, em troca de teto e comida, na cozinha de um boteco sujo e bem ralé - daqueles que só as prostitutas, os pudim de cachaça e as moscas costumam a frequentar, Raimundo descobre que tem um dom para cozinhar. Com sua “mão” boa para comida, logo logo o bar chulé começa a ser melhor frequentado e o dono da espelunca passa a ganhar uma boa grana com as coxinhas de frango quase perfeitas feitas pelo Raimundo.
A partir da descoberta desse dom natural as coisas mudam na vida de Raimundo, mas não para melhor como era de se esperar. De repente, duas narrativas passam a ser contadas: como o recém chegado vai conquistando as pessoas no antigo boteco do “seu” Zulmiro, inclusive a prostituta Íria por quem se apaixona, até ser contratado pelo Sr. Giovanni com quem aprende a verdadeira arte de cozinhar. Enquanto é contado também a sua trajetória dentro da cadeia, como conquista seus colegas de cela e adquire a confiança do Bujíu, o chefe.
O mais interessante é ver como um homem simples, de pouco conhecimento e sem educação formal consegue aprender uma das regras dos grandes centros urbanos: “devorar e ser devorado”, como prazer (através da comida, nesse caso) e poder (conquista) estão intimamente ligados. Como o Raimundo vai parar na cadeia, por quê? Como fica a relação entre ele e a Íria? Como ele se vira na cadeia, junto de bandidos tão perigosos? Não está entendendo muito né? Mas, só assistindo esse filme para você entender aquela máxima que diz: “pego pelo estômago”.
- Veja o Trailer:
- Link para vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=8a2UbitNR_s
- Visite a homepage oficial:
http://www.estomagoofilme.com.br/
Filme: Estômago
Ano: 2007
Diretor: Marcos Jorge
País: Brasil
Tags: Cinema, Comida, Estômago, Filme Nacional
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